10.12.06

Games: Análise do Ridge Racer 7




Ridge Racer 7 é uma espécie de remix de Ridge Racer 6 para Xbox 360, reciclando a maioria das pistas enquanto adiciona diversas inovações e retira as qualidades típicas do console da Microsoft (sistema online integrado com o hardware e trilha sonora personalizada). Na verdade, seria mais justo dizer que a edição do Xbox seria uma espécie de prévia para o que a Namco realmente pretendia realizar na edição para PlayStation 3. Fãs da série sabem exatamente o que esperar - um jogo de corrida nada realista cujo foco está em aprender a arte de derrapar nas curvas, o famoso Drifting.

Drifting é o coração de Ridge Racer desde sua primeira edição, e isso continua mais óbvio do que nunca aqui. O segredo do sucesso é soltar o acelerador no começo das curvas mais fechadas, tentar realinhar o carro derrapando no ângulo certo de saída e então reacelerar, retomando a tração na direção certa. Existe uma certa beleza escondida nesse processo nada realista, fazendo o jogador entrar em um transe quase como se estivesse reproduzindo uma coreografia. Da mesma forma, nas fases mais avançadas, um simples raspão em um oponente ou no guard rail pode ser o suficiente para colocar todo o esforço a perder e exigir que você recomece a partida se realmente quer ter alguma chance de sair vitorioso. Isso pode ter um grande apelo para qualquer um... mas o mesmo poderia ser dito sobre o a simulação exageradamente realista de Gran Turismo.

Essas derrapadas são mais do que simples ferramentas para contornar curvas com rapidez. Jogadores acumulam Nitro com derrapadas, em quantidade diretamente proporcional à velocidade em que se canta os pneus. Além disso, é possível pegar carona no vácuo de outros competidores (slipstreaming). A união desses três elementos adiciona certa estratégia às corridas, exigindo reflexos rápidos e precisos.

A estrutura do game é bastante elegante, e somada a uma interface limpa, é quase um prazer navegar pelas diversas opções. Cada jogador começa criando uma identidade própria (algo similar ao GamerTag do Xbox Live, mas que não é diretamente relacionado ao sistema da PlayStation Network), dando alguns detalhes básicos que incluem apontar onde você mora em um mapa do mundo. Curiosamente, apesar de ter uma lista restrita de países, o Brasil está incluso. É possível competir em grupos de 14 online, apostando créditos (o dinheiro do jogo) ou simplesmente usando os Online Battle Points (OBP). O game traz um sistema de salas funcional, assim como um placar mundial bastante eficiente salvo por um único detalhe: leva muito tempo para seu desempenho aparecer na rede - o próprio software avisa que pode chegar a uma hora. Isso acaba sendo muito desestimulante para quem se esforça tanto para tirar aquele décimo de segundo extra do Time Attack. Algumas modalidades curiosas, como uma que exige derrapagens "lado a lado" com um parceiro adicionam variedade - mas a falta de comunicação via voz realmente prejudica o componente online. Finalmente, o game suporta download de músicas e novos desafios da PlayStation Store, mas nenhum foi adicionado na versão norte-americana até a primeira semana de dezembro de 2006.

Mas o básico do game continua sendo a modalidade offline, e o jogo não decepciona. Apesar de reutilizar as pistas de Ridge Racer 6, ainda são mais de 20 percursos diferentes, que valem por dois com a adição de uma opção de correr no sentido inverso. Você começa sua carreira com três desafios de montadoras - ao vencer cada um deles, você ganha um de seus carros para competir no resto das corridas. Participar dos GPs ou desafios então vai rendendo créditos e pontos de fama (além de pontos de popularidade com as montadoras dos carros e peças que você usou ao vencer). Pontos de fama abrem novas competições - mas ao contrário dos créditos, você não pode ganhar mais deles repetindo a mesma prova.

O game oferece uma boa curva de aprendizado, permitindo que você use os créditos ganhos para comprar novos veículos e peças que aumentam seu desempenho (incluindo variantes do sistema de nitro que mudam as regras de uso de maneira interessante). Todos os veículos são fictícios, mas trazem todo o apelo estético dos carros reais - passando por carros esporte até protótipos e até uma picape. Existem três níveis diferentes de derrapagem, ajudando você a encontrar algum que se encaixe com seu estilo de direção.

Ridge Racer 7 não deixa de decepcionar no aspecto gráfico, oferecendo até a altíssima resolução de 1080p - e a definição realmente impressiona. Os gráficos são bem elaborados dentro da concepção do estado fictício onde se ambientam as corridas, dando preferência ao estilo sobre realismo. É uma pena que tanto a qualidade gráfica quanto a fluidez caiam quando se joga a opção arcade com duas pessoas via divisão de tela. E a seleção musical continua trazendo um apanhado respeitável para embalar os entusiastas da música eletrônica.

Um lançamento de nova plataforma da Sony nunca estaria completo sem um Ridge Racer 7, e essa edição é potencialmente uma das mais elaboradas já vista no primeiro dia de um console. O game certamente apela para um grupo específico de jogadores e não tenta escapar de sua fórmula básica... mas quem vem apreciando isso desde o primeiro PlayStation não deve deixar a mais nova derrapada passar batida.

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