6.1.07

Tecnologia: Porto Alegre testa internet por rede elétrica

A Prefeitura de Porto Alegre está testando uma tecnologia que usa a rede elétrica para distribuir acesso à web.

Chamada de Power Line Communication (PLC), a tecnologia baseia-se na instalação de um cabo de fibra ótica que transmita o link de internet até uma subestação de energia. A partir daí, a distribuição do sinal ocorre usando o cabeamento elétrico.

Em Porto Alegre, a Procempa (empresa de TI da prefeitura) instalou o link em uma subestação e está transportando o sinal por 3,5 km de distância. O sinal web trafega em média tensão pela rede elétrica e amplificadores instalados a cada 500 metros garantem a manutenção da qualidade do sinal ao longo da rede.

Por enquanto, o sinal é utilizado quase que só por órgãos da Prefeitura no bairro de Restinga, periferia da cidade. A rede fornece acesso à web para o escritório administrativo, uma escola e um posto de saúde na região.

A exceção fica por conta da praça central do bairro. No local, a Prefeitura instalou um roteador que distribui sinal Wi-Fi. Nesta região, o acesso é possível por qualquer usuário que tenha equipamento com conexão sem fio.

De acordo com a Procempa, a rede pode trafegar dados a velocidade de 45 megabits por segundo.

A PLC é considerada um meio econômico de construir redes porque usa infra-estrutura já existente, no caso, a rede elétrica.

De acordo com o Jornal do Brasil, em São Paulo a companhia Eletropaulo também testa a criação de redes PLC para distribuir acesso à internet.

http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012007/05012007-27.shl




quando li esta notícia, lembrei que a CEMIG também fez testes, ou pelo menos pensou em fazer testes com está tecnologia, mas a
pesar de ser uma idéia maravilhosa, há vários motivos técnicos que simplesmente impedem que esta tecnologia funcione na prática, mesmo que testes em laboratórios mostrem que ela é viável. Explicamos abaixo os principais motivos.

  1. Fios de eletricidade usam encapamento plástico que absorve sinais de alta freqüência. Isto impede que os cabos da rede elétrica sejam usados para transmissões de dados de alta velocidade por uma distância muito longa
  2. Os fios da rede elétrica funcionam como uma antena, fazendo com que os dados transmitidos gerem ruído no espectro eletromagnético, isto é, a transmissão de dados via rede elétrica gera interferência em rádios, televisões e similares. Da mesma forma, os fios elétricos captam sinais de rádios, televisões e similares, corrompendo os dados transmitidos via rede elétrica.
  3. Interferências de eletrodomésticos como aspiradores de pó, liquidificadores e máquinas de lavar atrapalham a transmissão de dados.
  4. Junções de cabos, transformadores, relógios medidores e o liga/desliga inerente aos eletrodomésticos fazem com que a carga da rede elétrica varie muito, criando inúmeros pontos de reflexão de sinal na rede, fazendo com que exista muito "eco" do sinal transmitido, o que acaba por corromper os dados transmitidos.
  5. Os atuais transformadores e relógios medidores usados na rede elétrica simplesmente bloqueiam sinais de alta freqüência, impedindo a transmissão de dados.

Enfim, esta tecnologia pode até dar certo em laboratório, mas na prática ela é simplesmente inviável pelos motivos técnicos expostos. Com a tecnologia de Internet sem fio (wireless) se popularizando e com o custo desta tecnologia caindo cada vez mais, é muito mais sensato pensarmos que a tecnologia wireless cumprirá o mesmo papel proposto pela idéia de Internet via rede elétrica, bastando a instalação de uma antena por bairro ou região para que todos os PCs daquela área passem a ter acesso à Internet, sem fio. Incrivelmente a tecnologia wireless terá um custo muito menor do que a Internet via rede elétrica, já que os custos de se fazer modificações no sistema elétrico para corrigir os problemas citados torna o uso comercial desta idéia completamente inviável. Não podemos esquecer que a Embratel começa com os testes de WiMax em SP agora no começo de 2007

É bom lembrar que na Europa mais de 20 companhias elétricas fizeram testes com a tecnologia de Internet via rede elétrica, e todas estão chegando aos mesmos resultados: é inviável.

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