25.2.07

Tecnologia: Milícias usam satélite para planejar invasões e têm plano de carreira

As invasões milicianas às favelas do Rio de Janeiro envolvem o planejamento com mapas e imagens produzidas através do satélite Google Earth. As ações nos morros seriam feitas com pelo menos 40 homens armados de fuzis, granadas e pistolas, coletes à prova de balas - além da ajuda de um informante de dentro do tráfico. Três líderes desses grupos - integrados por PMs, ex-PMs, bombeiros e militares das Forças Armadas - contaram como é o procedimento das milícias ao jornal Folha de S.Paulo.

"Entramos sempre com X-9, informantes, pessoas ligadas a eles que fecham com a gente. Entregam onde está a droga, o dinheiro, onde o cara se esconde. Em um dia, a gente bate todos os pontos. Quando vê que não tem mais vagabundo dentro, ocupa. Os que conseguem fugir, fugiram", conta um dos líderes - que aceitou falar sob condição de anonimato - na sede da Associação de Moradores da Vila Esperança Palmeirinha, em Guadalupe (zona norte do Rio de Janeiro).


Uma invasão de favela pode custar a um grupo de milicianos até R$ 4 mil em logística e munição. O grupo não paga em dinheiro aos integrantes para que participem das invasões, vistas como um investimento a médio prazo.


Os milicianos que atuam no dia-a-dia no complexo da Palmeirinha - controlada há oito meses pelo grupo - fazem rondas a pé ou de carro 24 horas por dia e recebem R$ 300, mais cesta básica. "Temos 'plano de carreira', com melhoria salarial", diz um dos líderes.

"Se me prendem aqui dentro, vão ter de arrastar mais de mil: quanto mais faço mais eles me abraçam. Se eu largar a comunidade e o tráfico voltar, vai ser uma carnificina aqui", completou.

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1433371-EI316,00.html

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