11.3.08

Abadía usou e-mail cifrado para traficar

Traficante colombiano preso em São Paulo usava e-mails com técnicas de esteganografia para dar ordens a comandados.

A Polícia Federal concluiu que o traficante Juan Carlos Abadía, que vivia em São Paulo, usava e-mails cifrados para se comunicar com parceiros na Colômbia.

Nos e-mails, Abadía decidia por quais rotas enviar carregamentos de drogas e quem deveria ser executado em casos de conflitos em sua quadrilha.

O método usado para se comunicar é chamado de esteganografia, uma técnica de programação para ocultar a existência de uma mensagem dentro de outra.

Esteganografia é um recurso diferente da criptografia. A primeira oculta a existência da mensagem, a segunda oculta o significado da mensagem. No caso do traficante, havia o uso das duas técnicas.

Segundo a Polícia Federal, os agentes desconfiaram da enorme quantidade de e-mails enviados a partir do PC apreendido na mansão de Abadía que continham imagens da gatinha Hello Kitty.

A técnica usada consistia em alterar o bit menos significativo de cada pixel de uma imagem colorida de forma que este bit corresponda a um bit da mensagem de texto. Desta forma, cada gatinha enviada podia ser transformada em um arquivo de texto com mensagens de Abadía.

O uso da esteganografia já foi encontrado em PCs de terroristas presos em diferentes pontos do mundo. No caso das mensagens de Abadía, elas foram decifradas após colaboração de técnicos da Polícia Federal com agentes americano da DEA, órgão de repressão ao tráfico nos Estados Unidos.

A descoberta pode mudar a situação legal de Abadía. Se a Justiça brasileira entender que ele traficou drogas a partir do Brasil ficará mais difícil sua extradição para os Estados Unidos, já que ele responderá por crimes graves também no Brasil.

O próprio Abadía manifestou desejo de ser extraditado. Nos Estados Unidos, crêem os advogados do traficante, seria possível fazer acordos de delação e diminuir a pena de Abadía.

http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032008/10032008-3.shl

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