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Em evento para criadores de software na China, a empresa exibiu diversos aparelhos sem fio de acesso à Internet que, em sua opinião, ocuparão o espaço que existe entre os laptops e os celulares inteligentes. A empresa espera aproveitar o sucesso que a Apple conquistou com o iPhone, um dos mais populares dos celulares inteligentes dotados de acesso à web.
A Intel decidiu classificar esses novos aparelhos com a sigla MID (mobile internet devices), de "aparelhos móveis de Internet", e alega que terá vantagem significativa sobre os fabricantes de chips para celulares, porque a versão da Intel será altamente compatível com os processadores da empresa para computadores de mesa e laptops, para os quais a maior parte do software de Web é hoje escrita.
A primeira geração da tecnologia MID da Intel está direcionada à comunicação de dados, não de voz, o que a exclui do mercado de celulares inteligentes. Isso não amorteceu o entusiasmo de seus executivos, que prevêem uma proliferação de aparelhos que variarão de laptops avançados e ultracompactos a aparelhos menores de navegação na web e para chat, de preferência à comunicação de voz.
"O que torna possível essa inovação é a capacidade de trazer aos aparelhos todas as inovações dos aplicativos existentes para computadores", disse Anand Chandrasekher, gerente geral do grupo de ultramobilidade da Intel.
O ponto fraco da estratégia da empresa continua a ser o fato de que comunicação de voz é um dos fatores mais significativos na escolha do aparelho portátil que um consumidor comprará.
A Intel decidiu abandonar o mercado de celulares dois anos atrás, quando vendeu sua divisão Xscale de processadores à Marvell Technology. A Intel iniciou então um ambicioso projeto de design que visava a desenvolver versões de baixo consumo de energia para seus processadores da família x86. O atual sistema requer dois chips, um para o processador e um segundo para os periféricos. Será necessário desenvolver uma nova geração de tecnologia para que a empresa consiga colocar tudo em um único chip.
Isso leva alguns analistas a antecipar que a verdadeira arrancada da empresa só acontecerá em 2009 ou 2010, com a chegada de um novo processador que vem sendo desenvolvido sob o codinome Moorestown.
"Estamos bem otimistas com respeito a algumas das qualificações", disse Van Baker, vice-presidente de pesquisa do Gartner Group, uma empresa de pesquisa de mercado. "Não acreditamos que eles chegarão lá de maneira significativa antes da próxima geração de tecnologia".
Enquanto isso, a estratégia da Intel está conduzindo a empresa a um confronto direto com a Qualcomm, companhia que está tentando concretizar a promessa de Internet sem fio em aparelhos portáteis. A Qualcomm define sua estratégia como "computação de bolso", e está oferecendo um chip que concorre com o da Intel, propicia baixo consumo de energia e pode ser usado por aparelhos que combinem serviços de voz e dados via Internet.
"Precisamos propiciar uma experiência de Internet semelhante à que um computador oferece", disse Sanjay Jha, vice-presidente de operações da Qualcomm. "As pessoas estão acostumadas com a Internet, e não podemos oferecer menos a elas".
A nova estratégia da Intel para a Internet móvel se baseia no microprocessador Atom desenvolvido pela empresa e revelado em março. O Atom terá desempenho em geral comparável ao de um processador de laptop disponível quatro anos atrás, mas usará entre 0,5 e 2,5 watts de energia. Isso é significativamente menos que os 35 watts consumidor pelos microprocessadores mais avançados da empresa para laptops.
Os novos MID, que devem começar a chegar às lojas de eletrônica em junho, são a mais clara prova até hoje dos esforços realizados pela Intel desde que o presidente-executivo Paul Otellini anunciou a concentração da empresa em desenvolver produtos de baixo consumo de energia, em 2005.
Executivos da Intel declararam em entrevistas que a empresa estava ligeiramente adiantada com relação ao cronograma proposto por Otellini, de colocar no mercado uma linha de processadores de baixo consumo de energia antes do final da década.
Um fator de complicação para a Intel é o fato de que a empresa está excluída do mercado de processadores de baixo consumo de energia para celulares inteligentes, hoje totalmente controlado por chips baseados em projetos do grupo britânico ARM, e produzidos sob licença por empresas como a Qualcomm.
Mais de 10 bilhões de chips ARM foram vendidos por mais de 200 empresas licenciadas, e a ARM afirma que hoje mais de oito milhões de seus chips são instalados a cada dia em celulares, celulares inteligentes e muitos outros produtos portáteis.
Até recentemente, os esforços iniciais do setor de computação para criar computadores de mão não encontraram uma grande audiência. De fato, o mercado dos organizadores pessoais está praticamente morto, já que muitas das funções que costumavam ser exercidas por esses aparelhos terminaram por ser absorvidas pelos celulares inteligentes.
Mas a categoria pareceu ressurgir no ano passado quando a fabricante taiuanesa de computadores Asus lançou o Eee PC, um laptop com peso de um quilo, equipado com sistema operacional Linux e vendido por US$ 400.
Tradução: Paulo Migliacci ME
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